Publicidade veterinária em 2026: o que pode e o que não pode divulgar
As regras de publicidade veterinária mudaram recentemente, e em 2026 o CFMV publicou um manual prático para facilitar a aplicação delas no dia a dia digital. A publicidade veterinária ficou mais atual — isso não significa que vale tudo. Antes de divulgar seus serviços, vale entender o que mudou e o que continua exigindo cuidado, incluindo a aquisição de clientes de forma ética.
O que mudou na publicidade veterinária
A Resolução CFMV nº 1.649/2025 substituiu a norma de 2004, que já não correspondia à dinâmica das redes sociais e do ambiente digital. Ela trouxe critérios mais claros para propaganda e publicidade na Medicina Veterinária e na Zootecnia, incluindo pontos que antes ficavam em zona cinzenta, como divulgação de preço e uso de imagens de pacientes.
Nota
Resolução + Manual
A Resolução estabelece as normas. O Manual de Publicidade, publicado pelo CFMV em 06/04/2026, complementa com exemplos comentados do que pode e do que não pode ser feito na prática.
O que o veterinário pode divulgar
Com base na Resolução e no Manual, é permitido divulgar:
- Serviços prestados, região atendida, formas de contato e horários de funcionamento.
- Especialização, cursos e formação, desde que comprovados e apresentados de forma transparente.
- Conteúdo educativo (dúvidas frequentes, orientações, campanhas de conscientização), de forma informativa e imparcial.
- Estrutura, equipamentos e diferenciais reais do atendimento.
- Participação em eventos, entrevistas e ações institucionais.
O que continua proibido
O Art. 6º da Resolução veda, entre outros pontos: propaganda enganosa, abusiva ou sensacionalista; divulgar produto ou equipamento sem registro nos órgãos competentes quando exigido; participar de propaganda que garanta resultados; anunciar tratamento ou técnica sem comprovação científica; e práticas anticompetitivas como preço predatório, venda casada ou discriminação de preço entre clientes.
Posso divulgar preço?
Depende do tipo de procedimento. Consultas, exames e outros serviços que não dependem de avaliação prévia do paciente podem ter valores divulgados, desde que de forma discreta e sem vincular a sorteios, brindes ou promoções.
Já cirurgias e procedimentos clínicos que exigem avaliação prévia — por variarem conforme espécie, raça, idade, peso e histórico clínico do paciente, inclusive riscos — não podem ter valores ou tabelas divulgados publicamente. O Manual cita como exemplo a campanha de castração com preço fixo: se o profissional depois recusa o procedimento por uma condição específica do animal, isso pode configurar propaganda enganosa.
| Categoria | O que inclui |
|---|---|
| Pode | Serviços, região, horários, formação comprovada, conteúdo educativo, estrutura, valor de consultas e exames sem avaliação prévia |
| Exige cuidado ou condição | Imagens de pacientes (com autorização), depoimentos compartilhados, antes e depois, preço de cirurgias e procedimentos que dependem de avaliação |
| Não pode | Garantir resultado, propaganda enganosa/abusiva/sensacionalista, produto sem registro, técnica sem comprovação científica, venda casada, preço predatório |
Fotos, antes e depois e imagens de pacientes
O uso de imagens ou informações de pacientes deve observar o Código Civil e, quando aplicável, a LGPD. Na prática, o Manual orienta obter autorização expressa, prévia e informada do responsável — idealmente por escrito, com a finalidade do uso especificada.
O "antes e depois" é permitido, mas de alto risco: precisa ter autorização, evitar imagens chocantes ou sangrentas, não ser editado para exagerar a diferença, e manter foco educativo na recuperação — nunca sugerir um resultado garantido para todos os casos.
Posso publicar depoimentos e avaliações?
Aqui vale um ponto pouco óbvio: se um tutor publicar um depoimento e o profissional compartilhar ou repostar em suas redes, esse conteúdo passa a ser considerado publicação própria para fins da Resolução. Ou seja, repostar um depoimento com termos como "milagre" ou promessa de resultado garantido é o mesmo que o profissional ter escrito aquilo.
Isso não impede reunir avaliações reais — só exige filtrar o que é compartilhado. O artigo sobre reputação online detalha como organizar essa apresentação profissional e as avaliações de tutores de forma consistente.
Redes sociais e anúncios pagos
A presença digital não é um espaço sem regras — é uma extensão do ambiente de trabalho. Nome completo e número de inscrição no CRMV precisam estar visíveis na página principal do perfil (não é preciso repetir em cada post, exceto ao compartilhar o conteúdo fora do contexto original, como por WhatsApp).
A Resolução não restringe o canal — outdoor, painel digital, redes sociais ou anúncio pago são todos permitidos. O que importa é o conteúdo: a mesma responsabilidade ética vale independentemente de a divulgação ser orgânica ou paga.
Um checklist antes de apertar "publicar"
Antes de publicar
- A informação é verdadeira?
- Minha identificação profissional (nome e CRMV) está visível quando exigido?
- Há promessa de resultado?
- Tenho autorização para usar essa imagem ou depoimento?
- Existe algo sensacionalista ou potencialmente enganoso?
- Eu sustentaria essa informação com base científica?
Marketing veterinário não precisa virar propaganda agressiva
A regra não impede o veterinário de construir presença digital. Comunicação educativa, presença profissional e informações claras ajudam o tutor a entender quem é o profissional e quais serviços oferece — respeitando os limites éticos que sustentam a confiança na profissão.
